Palácio Mental!

Existiu um poeta lírico grego, chamado de Simónides que graças a sua fama e eloquência, foi contratado pelo rei de Céos, a declamar sua poesia e obra em um banquete, para divertir e alegrar os convidados. Simónides então, durante o banquete realizado no palácio real, declamas suas poesias e tece elogios e honras ao rei de Céos. Em algumas versões dessa história, não ao rei, mas a um vencedor desportista, que Simónides havia sido contratado para homenagear e enobrecer suas virtudes atléticas. Mas Simónides, além do esperado, acrescenta elogios especiais a dois heróis mitológicos, Castor e Polux.http://penaespada.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif

Terminado suas oratórias, Simónides então cobra do rei seu pagamento. Este, surpreendendo o poeta, diz que pagaria apenas metade e que a outra ele reclama-se com Castor e Polux, já que havia sido tão lembrado e enobrecido pelo poeta.

Pouco tempo depois, Simónides é avisado por um funcionário do rei, que dois jovens, fora do palácio, o chamavam. Intrigado, ele sai do palácio e quando chega ao local indicado pelo funcionário, não encontrou ninguém. Nesse momento ocorre o improvável; o teto do palácio desaba matando todos os convidados, incluindo o rei.

Simónides, então percebe que havia sim sido pago pelos heróis; Castor e Polux haviam salvo sua vida em recompensa aos poemas que declamou em suas honras…

Mais tarde, Simónides foi chamado para auxiliar na identificação dos mortos, pois estavam todos desfigurados. Surpreendentemente, Simónides sabia reconhecer cada um, pois conseguia recordar exatamente onde cada convidado estava localizado geograficamente no palácio e suas roupas usadas.

Simónides encontrou uma maneira de reter ou lembrar de algo na memória, associando com um local especifico geograficamente!

Tal habilidade que Simónides desenvolveu tem muitos nomes e tornou-se largamente conhecida como Método de Loci, que é latim para lugares (plural de locus, de lugar). Também chamado romanticamente de palácio mental, palácio das memórias, palácio da mente, memória teatral e vários nomes diferentes.

Gregos e romanos usavam essa técnica para suas falas. Políticos, atores, oradores usavam o método do Palácio Mental para memorizar seus discursos e ações que deveria realizar. O papel, nessa época era uma artigo raríssimo, caro e que consumia muito tempo para ser fabricado. Escrever algo em papel, como um discurso por exemplo, era algo impensável e muito fora da realidade. Na idade média era também um método muito empregado pelos monges e estudiosos, para guardar os textos religiosos em suas memórias.

Entretanto, com a invenção da impressa, isso mudou. O papel era de muito fácil acesso, com a impressão de livros, jornais, revistas e etc., fazendo do uso dessa memorização, dispensável. Posso escrever tudo o que quero lembrar em um simples caderno ou ter a informação que quero em um livro. O Método Loci então tornou-se obsoleto.

Ainda mais nos dias atuais, que toda a informação está a um passo de um toque nos celulares, nossa capacidade de memorização tornou-se extremamente mediada pelos eletrônicos e meios de comunicação velozes, baratos e simples. Como é fácil pesquisar na internet, como se faz um bolo de chocolate, por exemplo.

O método de loci, hoje é vendido por charlatões e espertos, em cursos de memorização, como uma espécie de mágica! Nada mais mentiroso… Basicamente, o método do Palácio Mental é bem mais simples do que se pensa! Basta ter duas coisas… um pouco de paciência e um pouco de criatividade…

E o mais interessante, ao meu ver, de resgatar o Palácio Mental é que fazemos um exercício com nossa mente! E isso, longe de parecer chato e enfadonho, é extremamente divertido!

O palácio mental é exatamente como o nome diz, criar um palácio na mente. Os estudos mostram que pode ser a casa onde a pessoa vive, mas pode muito bem ser qualquer local, ou mesmo um local imaginário. Daí a paciência, pensar com calma em um local…

Dentro desse local, vamos então colocando as coisas que queremos recordar. Em uma casa por exemplo, em cada quarto eu insiro a memória que quero guardar… No quarto dos fundos eu quero lembrar disso, na varanda isso e por ai vai.

O grande fato do palácio mental é em mexer com nossa criatividade e com nossos sentimentos. Sentimentos e memória são tão poderosos que se unidos, nunca mais esquecemos. Por exemplo, de fatos marcantes da infância – eles estão lá, tão reais quanto antes, pois estão carregados de sentimentos! O palácio mental se aproveita disso, em associar um sentimento com uma lembrança – colocado espacialmente em locais distintos!

Um exemplo é tentar colocar a lista de compras, espacialmente em locais. A direita, tem os pães, a minha esquerda, os leites… Isso em uma casa faz muito sentido! No quarto da Ana, tem os pães, já no quarto da Mariana, coloco os leites.

Criar um palácio mental é algo muito pessoal e íntimo. Para tanto, deve ser algo que faça sentido a pessoa. Ações, sentimentos, pessoas, imagens vão sendo colocados e quando então, recordados. Dentro de uma casa, vamos colocando eventos, pessoas, frases, sons, cores que vão tornando nosso palácio mental complexo e povoado.

Outros estudos mostram que não é necessário ser um local conhecido, pode-se criar um local único! A imaginação e a criatividade aparecem agora! Cada local, cada espaço que vou colocar alguma recordação, pode ser inventado para me facilitar visualiza-lo e senti-los novamente!

O meu palácio mental… Um salão todo em branco, com vários quartos. A cada abertura de quarto, coloco alguma memória. Se quero lembrar dos pães, eu imagino um saquinho de pães jogado nesse quarto. Eu crio, uma imagem, uma figurinha daquilo que quero lembrar. Tenho dificuldade de lembrar nomes, para me recordar, eu imagino um quadro escrito na minha mente com nome da pessoa e coloco em um quarto! Vou povoando meu palácio com memórias, sentimentos e ações que me fazem sentido.

É um exercício que quase se confunde com uma espécie de meditação. Vamos imaginando um local e vamos preenchendo ele com memórias, sentimentos, pessoas, palavras, desenhos, sons que tem muito significado para nós mesmos.

Creio que ainda ficou meio nebuloso tudo isso. É fácil de escrever mais difícil de compreender. Faça uma experiência em casa, mas não assista os milhões de vídeos de treinamento que existem sobre o palácio mental!

Se me permite uma sugestão, meu amigo/a espirituoso, é que feche os olhos e vá, aos poucos, colocando memórias gostosas em espaços na sua mente. Um viagem, um amor, uma pessoa – coloque sentimentos em cada uma delas, crie uma representação – uma imagem, uma figura – de cada uma e coloque em um local, um espaço qualquer… Quando quiser se recordar de algo, vá nesse local e veja com os olhos da mente, aquela representação.

Eu sei, é complicado escrever em palavras… mas insisto, tentem! É um exercício que une muitas funções… a criatividade, a recordação, paciência – mas principalmente, observar com os olhos internos, nossas próprias vivências e experiencias!

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