O ódio nosso de cada dia

Ahh ódio, o que seria de mim se não fosse por você? Você me alimenta, você me incendeia, você me preenche…. Devo muito a você, sou o que sou por tua causa.

Como é fácil sentir ódio, basta existir… Basta termos um corpo de carne e sentíramos ódio. Desde nosso nascimento até nossa morte, esse sentimento irá aparecer e aparece com uma urgência que assusta. Ao ódio, que tudo traga, não existe meio termo. Ele tudo consome, ele tudo quer e não admite esperas. Quer tudo, quer agora, que muito, quer já… quer consumir e seu consumo é veloz, feroz, ardente, cruel, doloso.

Dizem que o ódio é como uma chama que cega aquele que o vive e não discordo. Ao ódio tudo é valido em seu frenesi, tudo serve como combustível… pessoas, amigos, amores, parentes, família.

A fúria, a raiva, a cólera, são todos sentimentos menores, que vivem e morrem em um único instante, mas só ao ódio é permitida à vida longa. Ele dura, perdura, resite. Ele é substancial, primordial, nascido da alma humana, somente e para a alma humana. Aos animais é permitida a raiva, a fúria, mas é só ao homem que o ódio faz sentido. Os animais, seres singelos e simples, não tem a chance da escolha.

Diferente do homem dá qual nasce para escolher. Ele escolhe a sua vida e o seu destino, tendo no ódio seu mais completo aliado. Ele é puro, visceral, simples e talvez por sua simplicidade que é tão fácil de ser experimentado. Basta viver para sentir ódio.

Professor nato e extremamente eficaz, suas lições são marcadas na alma e nunca mais esquecidas. Marcadas na alma a um preço de lágrimas e dor…

O ódio é explosão nuclear, que deixa como resultado destruição, cinzas e morte. Viral e duradouro, seu rastro e sua herança são passados adiante, de pessoa para pessoa, de pai para filho, de homem para mulher. Uma roda que gira em si mesma, em um ciclo que parece não ter fim.

Os escravizados pelo ódio tornam-se pessoas medíocres, vivendo uma vida limitada, conhecendo apenas dor e sofrimento. Tornam-se seres rastejantes, somente uma sombra daquilo que poderiam ter se tornado. Escolhem em trilhar um caminho de dor, de loucura, de sofrimento. Um caminho de espinhos, que rasga a carne, que queima a alma, que corroí o caráter.

Nada de positivo ou de enobrecedor nasce dos campos medonhos do ódio. A única colheita feita nesses campos é a pura necessidade de também machucar ao próximo, de também querer causar o máximo de dor possível no outro.

Empatia, carinho, amor, amizade, dentre tantos outros, milhares de sentimentos positivos, demandam muito mais tempo para serem compreendidos. Compreender e principalmente, vivenciar a empatia, por exemplo, é algo que deve ser conquistado com paciência e reflexão. Impossível para aqueles acostumados as explosões e dores do ódio, esses sentimentos requerem uma escolha para serem experimentados. A escolha de querer mudar.

Estes, dentre muitos outros, são sentimentos que não são explosivos, são temperados. São chamas, mas não uma chama negra e destruidora, mas uma chama azul, que aquece e conforta. Aquele calor gostoso que clama pela vida e não o puro queimar que busca à morte. Senti-los requer superação, requer paciência e requer querer senti-los.

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