Não há monstros aqui….

Não, não há! Sabe aquele monstro aterrorizador que só você escuta, bom, ele não existe! Bem… ahh… reformulando a frase, ele existe sim, mas de uma maneira diferente do que chamamos de realidade… esta ficando meio difícil de entender, sim eu sei! Na verdade, o monstro é você!

Como assim o monstro sou eu? Desculpe dizer isso, mas existe um pequeno little monster no seu corpo. É um bichinho para alguns, ou um Alien sedento para outros. Não, não há forma de se livrar deles, se essa é a sua segunda pergunta. Aceite, você tem um pocket monster em você e ele não é gracioso como o pikachu… de maneira alguma…

Esse pequenino monstro que o habita é seu companheiro desde o nascimento. Ele esta lá, nos seus primeiros passos, na sua primeira palavra, no seu primeiro amor, no seu primeiro emprego… E ele sim, estará com você sempre.

Ele é aquele cara inconveniente, que fica sussurrando coisas nos seus ouvidos que só você consegue ouvir. É aquele péssimo companheiro,  que lhe faz tomar decisões, escutar e ver coisas que não existem… ou existem, já que só você consegue os ver e ninguém mais….

“Ah está vendo aquela garota? Então, ela de acha um babaca”

“Esquece de fazer isso… não vai dar certo de qualquer maneira.”

“Você é um ridículo, culpa sua disso tudo…”

Essa é apenas as mais famosas frases que eles falam, ah sim, eles existem aos montes…

Eu havia dito que não dá para nos livramos dele não? E não dá mesmo, ele esta com você desde sempre. Sua forma, suas palavras e o que ele lhe mostra são todos construídos e adivinha por quem? Por você mesmo…

Esse monstro que você escuta desde sempre surrando é construção sua e ele te envolve de todas as maneiras. Poucos sabem que esse monstro existe, poucos ainda de que ele é uma construção nossa… e muito menos ainda sabem que esse monstro pode ser domesticado… domesticado não, já que ele é selvagem. Mas pode se, digamos entendido!

Esse nosso monstro incompreensível é cedendo por vítimas, em especial por uma única vitima, seu próprio criador e devo dizer para você, meu caro, que ele é especialista nisso…

Se deixarmos, ele vai crescendo e crescendo, indo de um carinha chato, para literalmente, uma fera terrível, saída dos nossos próprios pesadelos particulares… E então, pouco a pouco, esse monstro, cria nossa, vai tomando mais e mais espaço em nossos corações, em nosso corpo, nossos pensamentos até que por fim, acontece! E é exatamente isso que você já esta supondo… tornamo-nos monstros!

Com certeza você conhece pessoas assim, que se tornaram literalmente, monstros… Eu conheço várias…. que perderam capacidade de se encantar com o mundo, para dar ouvidos, olhos e pensamentos a uma forma distorcida de realidade… Agem de forma selvagem, ou de forma mesquinha, … agem sem pensar naquilo que se tornaram…

Se sua terceira pergunta é como faz para lidar esse monstro, ai sim você fez a pergunta certa! Não dá para destruí-lo, não dá para domesticá-lo e também não dá para ignorá-lo… então, que tal, assumir nosso lado monstruoso?

Sim, sim você leu certo, assumir!

Não, não, não, não… não é para você perder as esperanças e tornar-se algo odioso, pelo contrário… mas a única pessoa que pode entrar em contato com seu monstro e olhar ele cara a cara, face to face é a gente mesmo…. não tem outro jeito…

É encará-lo de frente, entrar em seu covil, observar o lugar que ele vive e ver tudo aquilo que criamos, desde sempre. Ele é nosso monstro, podemos cuidar dele de uma forma ou de outra forma.. cabe a nós decidir… e de uma forma ou outra a gente decide exatamente como quer ele…

Conheci pessoas que tinham monstros terríveis, criaturas medonhas, que faziam parte dela de tal forma que era difícil dizer quem era quem… também conheci pessoas que tentavam enjaulá-lo, dar as mais diversas drogas para adormecê-lo… mas sem sucesso.. mais hora menos hora, o monstro rompe com os grilhões da lógica e do nosso controle, arrasando tudo aquilo que tentávamos conter…

O jeito, se é existe um jeito, é assumir que tem um monstrinho com você… é mais fácil, menos doloroso e mais rápido… tentar negar e tentar controlar não vai levar a nada… só a situações chatas e sem sucesso… Ele está lá, firme e forte, sempre sussurrando coisas no seu ouvido… fazendo-nos enxergar coisas que não existem… fazendo a gente ver pêlo em ovo como dizem… Então como conviver com criatura tão temível?

Assumindo que uma há uma criatura dessa com a gente, fica mais fácil de viver. Assumindo, você se permite olhar para essa criaturinha tão mentirosa e chata que ai sim, você vai conhecendo o seu monstro…. aprendendo do que ele é capaz! Sabendo o que ele te sussurra e sabendo o que são visões e formas de ver diferentes das suas…

É criar uma aliança com ele.. deixando-o amigável de certa forma, tirando suas garras, suas formas hostis e odiosas, tirando o grande domínio que ele tem sobre nós… porque se a gente deixar, ele vai criando tantas raízes em nosso coração que vamos por fim, acabar nos perdendo por completo!

Dar pitacos, “sugestões” duvidosas e interpretações estranhas ele vai dar mesmo, isso é certeza! Mas ai, você analisa e decide se deve ou não dar ouvidos… essa seria a melhor forma de lidar com esse incomodo!

Não é juntar-se a ele, mas sim, conviver com ele… bem diferente! E a diferença está em aceitar!

E sim, eu mesmo estou aprendendo a lidar com o meu… Já não é mais aquele leão enfurecido que era o meu monstro… agora ele esta mais para um papagaio de pirata resmungão!